quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
domingo, 27 de janeiro de 2013
O peso da escola
Capa/Obesidade infantil | Edição 188
Cristiane Marangon, com a Redação

Com uma em cada três crianças brasileiras apresentando sobrepeso, o que poderia parecer apenas um problema de saúde pública se torna também assunto do ambiente escolar, ainda influenciado por padrões de consumo alimentício de baixo valor nutricional
Cristiane Marangon, com a Redação
Aos 4 anos, o pequeno Yan se joga no chão da cozinha e começa a chorar. Ele esperneia e grita enquanto não ganha da mãe um pacote de batatinhas fritas. Erik, de 8 anos, troca com os colegas de classe alguns itens do material escolar por guloseimas, como pacotes de bolacha. Já Léo, de 9 anos, confunde chuchu com abacate e não é a única criança de sua idade a não reconhecer alimentos in natura. As três crianças têm problemas de saúde relacionados ao sobrepeso e desmistificam algumas ideias recorrentes: a de que o Brasil ainda é um país de desnutridos que está longe do problema da obesidade infantil e que, quando muito, essa doença está relacionada a áreas urbanas. Para completar, essas crianças, muitas vezes, não estão recebendo alimentação e informação adequada nas escolas que frequentam.
As constatações estão no dia a dia de quem trabalha com nutrição, alimentação infantil e merenda escolar. E também expostas no documentário Muito além do peso, em exibição em algumas salas de cinema do país durante o mês de dezembro. O filme, que reúne retratos de ambientes alimentares em diferentes municípios e realidades socioeconômicas no Brasil, faz uma advertência: 33% das crianças brasileiras são obesas, com a anuência de todos.
Fonte: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/188/sumario.asp
Adeus ao assistencialismo
Capa/Merenda escolar | Edição 188
Hoje a legislação garante que a alimentação servida nas escolas brasileiras deve priorizar a agricultura familiar e o estímulo à economia local. Mas ainda há desafios a serem enfrentados, como a falta de nutricionistas e os maus hábitos alimentares
Cristiane Marangon, com Redação
Está na lei: 30% dos alimentos adquiridos por estados e municípios com os repasses do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) devem ser comprados diretamente da agricultura familiar. A intenção é induzir bons hábitos alimentares e, de quebra, estimular o desenvolvimento, a educação e a saúde pública local. Além disso, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) também orienta a realização de avaliação antropométrica dos alunos, que inclui pesagem e medição de altura. Mas, entre as dificuldades enfrentadas no dia a dia dos municípios, estão a baixa presença de nutricionistas por escola - normalmente um profissional se reveza entre todas as instituições locais, a logística do horário escolar e da conservação de alimentos perecíveis, além, é claro, de hábitos alimentares nem sempre saudáveis, tanto da família quanto da comunidade e das próprias merendeiras.
Apesar disso, o país tem conquistado avanços. Segundo a diretora da Ação Fome Zero, Fatima Menezes, há décadas trabalhando em escolas, primeiramente como professora, depois em cargos de direção, e agora acompanhando de perto a realidade de diversos municípios brasileiros por meio das ações da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), a alimentação escolar brasileira está bem melhor. "Nos últimos anos, o perfil da alimentação escolar mudou sobremaneira. Até então, o programa era para atendimento de pobre, para quem não tinha alimentação em casa. Infelizmente, nesse caso, era usado o conceito de assistencialismo. A origem do Programa Nacional de Alimentação Escolar era ofertar alimentação para a população carente. O mundo mudou e esse modelo já não cabe mais", diz, lembrando que, após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil recebia doação de alimentos enlatados dos Estados Unidos para compor o cardápio escolar. Na opinião de Fatima, hoje o Brasil tem um programa estruturante, não mais assistencialista. "Isso faz toda a diferença. A mãe não fica mais em casa, saiu para trabalhar. A escola hoje tem de ter um papel diferente do que tinha nos anos 70. Hoje, ela deve dar a refeição, não o sanduíche", reflete. Sobre a qualidade do alimento ofertado às crianças, entretanto, Fatima relata que "há de tudo". "Em alguns lugares a qualidade é excelente, experimentamos refeições maravilhosas. Mas, por outro lado, em algumas regiões existem situações inadequadas."
No quesito produtos perecíveis, o município de Nova Andradina (MS) enfrentou o problema com a aquisição de oito extratores de sucos para as escolas da rede no primeiro semestre deste ano. Também foram adquiridos fogões, forno industrial, liquidificadores, batedeiras, lixeiras industriais e balanças. No total, foram gastos R$ 44 mil. Para a utilização desses equipamentos e o melhor aproveitamento das propriedades dos alimentos, o nutricionista Paulo Sergio D'Alkmin Filho faz o acompanhamento nas escolas. "Além do arroz, do feijão, da farinha e da carne, servimos diariamente saladas, frutas e legumes", conta. "Nosso objetivo é transformar os hábitos alimentares dos alunos da rede", explica.
Hoje a legislação garante que a alimentação servida nas escolas brasileiras deve priorizar a agricultura familiar e o estímulo à economia local. Mas ainda há desafios a serem enfrentados, como a falta de nutricionistas e os maus hábitos alimentares
Cristiane Marangon, com Redação
Está na lei: 30% dos alimentos adquiridos por estados e municípios com os repasses do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) devem ser comprados diretamente da agricultura familiar. A intenção é induzir bons hábitos alimentares e, de quebra, estimular o desenvolvimento, a educação e a saúde pública local. Além disso, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) também orienta a realização de avaliação antropométrica dos alunos, que inclui pesagem e medição de altura. Mas, entre as dificuldades enfrentadas no dia a dia dos municípios, estão a baixa presença de nutricionistas por escola - normalmente um profissional se reveza entre todas as instituições locais, a logística do horário escolar e da conservação de alimentos perecíveis, além, é claro, de hábitos alimentares nem sempre saudáveis, tanto da família quanto da comunidade e das próprias merendeiras.
Apesar disso, o país tem conquistado avanços. Segundo a diretora da Ação Fome Zero, Fatima Menezes, há décadas trabalhando em escolas, primeiramente como professora, depois em cargos de direção, e agora acompanhando de perto a realidade de diversos municípios brasileiros por meio das ações da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), a alimentação escolar brasileira está bem melhor. "Nos últimos anos, o perfil da alimentação escolar mudou sobremaneira. Até então, o programa era para atendimento de pobre, para quem não tinha alimentação em casa. Infelizmente, nesse caso, era usado o conceito de assistencialismo. A origem do Programa Nacional de Alimentação Escolar era ofertar alimentação para a população carente. O mundo mudou e esse modelo já não cabe mais", diz, lembrando que, após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil recebia doação de alimentos enlatados dos Estados Unidos para compor o cardápio escolar. Na opinião de Fatima, hoje o Brasil tem um programa estruturante, não mais assistencialista. "Isso faz toda a diferença. A mãe não fica mais em casa, saiu para trabalhar. A escola hoje tem de ter um papel diferente do que tinha nos anos 70. Hoje, ela deve dar a refeição, não o sanduíche", reflete. Sobre a qualidade do alimento ofertado às crianças, entretanto, Fatima relata que "há de tudo". "Em alguns lugares a qualidade é excelente, experimentamos refeições maravilhosas. Mas, por outro lado, em algumas regiões existem situações inadequadas."
No quesito produtos perecíveis, o município de Nova Andradina (MS) enfrentou o problema com a aquisição de oito extratores de sucos para as escolas da rede no primeiro semestre deste ano. Também foram adquiridos fogões, forno industrial, liquidificadores, batedeiras, lixeiras industriais e balanças. No total, foram gastos R$ 44 mil. Para a utilização desses equipamentos e o melhor aproveitamento das propriedades dos alimentos, o nutricionista Paulo Sergio D'Alkmin Filho faz o acompanhamento nas escolas. "Além do arroz, do feijão, da farinha e da carne, servimos diariamente saladas, frutas e legumes", conta. "Nosso objetivo é transformar os hábitos alimentares dos alunos da rede", explica.
| Programa Alimentação Escolar: a aquisição de gêneros alimentícios deve ser realizada, sempre que possível, no mesmo município das escolas |
Avanços
O desafio para enfrentar o problema da qualidade ainda passa por questões simples, como superar a monotonia dos cardápios escolares, baseados, em grande parte, em alimentos de fácil preparo e armazenamento, como arroz, feijão e repolho. E por questões mais complexas, como a falta de cozinhas adequadas e um plano de saúde e de carreira para as merendeiras. Fatima cita um estudo da Fiocruz que revela que a vida útil do profissional de merenda é de apenas três anos. "É um caso de saúde pública. Por que essas condições? Porque as prefeituras não têm a visão, às vezes não têm os recursos. Ou, às vezes, têm os recursos e não sabem onde obtê-los", diz Fatima.
Suco natural
Paralelamente, também acontece o projeto Escola Saudável, cujo objetivo é a prevenção e o controle da obesidade infantil, que está a pleno vapor desde o início deste ano. O trabalho é desenvolvido por professores de educação física, integrando todos os demais profissionais da escola e envolvendo a família.
Paulo sempre faz reuniões com os pais nas escolas. "Converso com todos sobre a importância da merenda escolar. Digo que ela é balanceada e supre todas as necessidades nutricionais das crianças e dos adolescentes. Por isso, peço que os pais não enviem guloseima para seus filhos comerem na hora do lanche", relata.
Em Nova Andradina, os recursos repassados pela União somam pouco mais de R$ 447 mil. Ainda há o repasse do município, que é de quase o mesmo valor, R$ 442 mil. O total gasto na aquisição de alimentos gira em torno de R$ 889 mil. "Diariamente são oferecidas cerca de seis mil refeições em 21 unidades, compostas por escolas, creches e entidades filantrópicas", contabiliza Nair Aparecida Lorencini Russo, secretária de Educação, Cultura e Esportes. O município atende educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos.
Pela Lei 11.947, que rege o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), os valores repassados a estados e a municípios por dia letivo para cada estudante são definidos de acordo com a etapa de ensino: para creches, R$ 1, para pré-escola, R$ 0,50, ensinos fundamental e médio recebem R$ 0,30 e ensino integral, R$ 0,90. O orçamento para 2012 foi de R$ 3,3 bilhões, para 45 milhões de estudantes.
Fonte: http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/188/artigo274778-1.asp
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Operação Mercatus apreende quase 25 ton de alimentos em Pernambuco
Apreensões aconteceram no Recife, Olinda, Jaboatão e Paudalho. Mercadoria roubada era adulterada e vendida em pequenos mercados.
Aproximadamente 25 toneladas de alimentos impróprios para consumo foram apreendidos pela polícia durante a 'Operação Mercatus', que buscou coibir a venda de cargas roubadas no Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paudalho. O balanço da operação foi apresentado na manhã desta quinta-feira (24), na sede do Departamento de Repressão aos Crimes Patriominais (Depatri), no bairro de Afogados, no Recife.
Ao todo, 17 pessoas foram presas, sendo 15 em decorrência de mandatos de prisão e duas em flagrante. Além disso, um mandado de prisão foi expedido contra um homem que já estava detido por receptação de remédios roubados. Entre os presos em flagrante está um comerciante do bairro de Casa Amarela, no Recife, suspeito de vender produtos impróprios para o consumo e que estava com um revólver, mas que não teria envolvimento com a quadrilha.
A outra pessoa presa em flagrante é uma mulher que tinha sido presa anteriormente pela Delegacia de Jaboatão por comercializar produtos vencidos. "Ela estava solta há menos de duas semanas e já tinha voltado a comercializar esses produtos [vencidos], tanto que a prendemos em flagrante. Ela não adulterava a data, repassava para outra pessoa que o fazia", explica o delegado Osias Tibúrcio.
A operação contou com o apoio da Polícia Militar, Secretária Estadual da Fazenda e Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa). Ao todo, seis estabelecimentos, entre mercadinhos, depósitos e residência, foram lacrados. "Nós prendemos dois funcionários de transportadoras. Ele [o líder da quadrilha] os aliciava para que fossem feitos pequenos furtos, como duas peças de picanha, uma caixa de linguiça. Com isso, nem mesmo as empresas conseguiam identificar as diferenças como furto", aponta Tibúrcio.
Em uma chácara em Paudalho, a polícia apreendeu quase 20 toneladas de farinha de trigo vencida. "Ele [o suspeito] já estava negociando a carga com padarias da região. Encontramos na casa também sacos novos de farinha, o que indica que eles pretendiam mudar a farinha de saco para facilitar a falsificação", afirma o delegado.
A polícia apreendeu durante a operação também 980 quilos de carne de porco estragada, quase duas toneladas de maionese, entre outros produtos como leite longa vida e feijão. "Um dos presos fornecia carne para mercados públicos, principalmente o de Afogados e o de São José. Algumas carnes estavam tão ruins que ele salgava e transformava em carne-de-sol para conseguir vender", detalha Tibúrcio.
Foram encontrados também carimbos usados para adulterar a data de validade dos produtos. "Eles apagavam a data original e carimbavam outra. Algumas adulterações eram fáceis de ser identificadas, mas outras eram realmente bem feitas, com número de lote e tudo", explica.
Os suspeitos vão responder pelos crimes de roubo, furto, falsificação e adulteração de mercadorias e receptação. Eles foram levados ao Centro de Observação e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife, e a mulher, para a Colônia Penam Feminina, no Recife.
Fonte: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2013/01/operacao-mercatus-apreende-quase-25-ton-de-alimentos-em-pernambuco.html
Sanciona Alckmin!
Nós nunca estivemos tão perto de uma vitória tão grande contra a obesidade infantil.
No dia 18.12.2012, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou dois Projetos de Lei que tratam da proteção da criança e de seu direito à saúde e à alimentação saudável. Um deles proíbe a venda de alimentos com brinde ou brinquedos; o outro proíbe a publicidade de alimentos não saudáveis em rádios e TVs das 6h às 21h, e também em qualquer horário dentro de escolas públicas e privadas.
Até o final de janeiro o Governador Alckmin poderá, ou não, aprová-los.
Caso sejam sancionados, esses projetos de lei serão um marco na luta contra a epidemia de obesidade infantil que assola o país - 30% das crianças brasileiras apresentam sobrepeso e 15% delas já são obesas.
De acordo com pesquisas realizadas pelo Datafolha, quase 80% dos pais acreditam que a publicidade de alimentos não saudáveis prejudica os hábitos alimentares de seus filhos, e 76% são favoráveis a algum tipo de restrição à publicidade direcionada para crianças. Pais e mães dependem destas leis para, juntos com o estado, tratarem deste mal que assola tantas crianças brasileiras.
Essa é uma oportunidade única para que o Governador Alckmin faça sua parte:ouvindo o desejo da sociedade, protegendo nossas crianças e reduzindo os enormes custos com a saúde pública gerados pela epidemia da obesidade.
Bastam duas assinaturas do governador Geraldo Alckmin para mudarmos a história. Você vem com a gente?
Abaixo assinado: http://www.change.org/SancionaAlckmin
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
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