quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A AGROECOLOGIA E A SUSTENTABILIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR


Texto por Edmar Gadelha*

O Censo Agropecuário 2006, realizado pelo IBGE, mostrou a importância da agricultura familiar na economia nacional. O Brasil possui 5,1 milhões de estabelecimentos rurais, dos quais 4,3 milhões são de agricultores familiares. Em apenas 24% das terras em produção esses estabelecimentos ocupam 74% de todo o pessoal que trabalha no campo, o que significa 12 milhões de pessoas. Em Minas Gerais, a agricultura familiar representa 79% de todos os estabelecimentos rurais, totalizando 437.415 propriedades que são responsáveis por 32% da produção de café e feijão, 44% da produção de arroz, 47% da produção de milho e 83% de toda a produção de mandioca. Destaca – se também, pela produção pecuária, sendo responsável por um terço do plantel bovino, suíno e aves. A agricultura familiar mineira comparece com 48% da produção leiteira. A despeito de alguma variação anual, é possível afirmar que cerca de 70% dos alimentos que vão pra mesa de brasileiras e brasileiros são produzidos pela agricultura familiar. 
Embora responsável por significativa parcela na produção de alimentos que contribui para a garantia da segurança alimentar e nutricional da população, a agricultura familiar vem enfrentando diversos desafios diante das adversidades econômicas, sociais, ambientais e   políticas proporcionadas pelo modelo de desenvolvimento hegemônico. Entre os diversos desafios destacam – se a dificuldade de acesso à terra, água, infraestrutura adequada, sementes e tecnologias apropriadas para produção, agroindustrialização e armazenamento.  No ato da comercialização, quase sempre prevalece os preços injustos para os agricultores. Também se destacam o pouco acesso a educação e a saúde de qualidade.  Os impactos proporcionados pelas mudanças climáticas têm sido cada vez mais desastrosos para os sistemas de produção. A contínua migração, decorrente das más condições de vida e trabalho no campo, em particular da juventude, vem comprometendo a reprodução da agricultura familiar.
A identificação e a construção de soluções para reverter esse quadro de dificuldades  e  tornar os agroecossistemas familiares sustentáveis são condições  para o fortalecimento da democracia e  de um desenvolvimento rural sustentável e solidário. 
O desenvolvimento e a implementação de sistemas de produção fundados na agroecologia e na produção orgânica vem sendo apontados por estudiosos e agricultores familiares como um caminho seguro a ser perseguido na busca da sustentabilidade. Os sistemas de produção fundados em princípios agroecológicos são biodiversos, resilientes ( apresentam poder de recuperação), eficientes do ponto de vista energético, valorizam a sociobiodiversidade e constituem os pilares de uma estratégia energética e produtiva fortemente vinculada à noção de soberania e segurança alimentar e nutricional.
A partir da organização e demandas do setor, diversas ações para o fortalecimento da agricultura familiar vêm sendo implementadas com a criação da Subsecretaria de agricultura Familiar em Minas Gerais. Recentemente o governador Antônio Anastasia, sancionou a Lei nº 21.146/14, que instituí a Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica – Peapo.  A Lei de autoria do Deputado Adelmo Leão foi amplamente debatida com as organizações da agricultura familiar, tem o objetivo de promover e incentivar o desenvolvimento da agroecologia e da produção orgânica no Estado, buscando entre outras ações ampliar e fortalecer a produção, o processamento e o consumo de produtos agroecológicos, orgânicos e em transição agroecológica, com ênfase nos mercados locais e regionais; promover, ampliar e consolidar o acesso, o uso e a conservação dos bens naturais pelos agricultores; criar e efetivar instrumentos regulatórios, fiscais, creditícios, de incentivo e de pagamento por serviços ambientais para proteção e valorização das práticas tradicionais de uso e conservação da agrobiodiversidade; e ampliar a capacidade de geração e socialização de conhecimentos em agroecologia, produção orgânica e transição agroecológica por meio da valorização dos conhecimentos locais e do enfoque agroecológico nas instituições de ensino, pesquisa e extensão rural.
Para assegurar a implementação dos projetos e ações a Lei garante a participação das organizações da sociedade civil na elaboração e na gestão dos programas de pesquisa, ensino e extensão rural em agroecologia, produção orgânica e transição agroecológica.
Com a sanção da Lei nº 21.146/14, e esperamos sua rápida regulamentação, a agricultura familiar de Minas Gerais ganha mais um importante instrumento, que se bem implementado, contribuirá para o fortalecimento da agricultura familiar e com a segurança  alimentar e nutricional da população. 
Em tempo, coincide com a sanção da Lei que institui a política de agroecologia, o lançamento de Edital da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG, que apoiará o financiamento de projetos de pesquisa para sistema de produção e segurança alimentar com ênfase no fortalecimento da produção agroecológica, extrativista e de práticas de manejo sustentável do cerrado na bacia do Rio Pandeiros. Na mesma esteira, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – SEAPA, publicou resolução  criando grupo técnico para elaboração do Programa de Pesquisa em Agroecologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig. 



*sociólogo, Subsecretário de Agricultura Familiar e Regularização Fundiária de Minas Gerais

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Curso de Extensão em Nutrição e Oncologia - Hospital A. C. Camargo

As matrículas para o Curso de Extensão em Nutrição e Oncologia estão abertas. Aproveite para realizar a sua.
Matrículas Abertas até 30 de Janeiro de 2014.



Objetivo
O curso visa aperfeiçoar o nutricionista na área de oncologia fornecendo-lhe, além da base teórica a vivência prática no acompanhamento no Ambulatório.

 Público-Alvo
Nutricionista e graduandos do último ano de nutrição

 Início das aulas
01/02/2014

 Período
Período – 01 de Fevereiro a 12 de Julho de 2014
Aulas quinzenais: aos sábados das 8h ás 12 (alternados).
Aula prática no ambulatório: 1 vez por semana(obrigatório), período das 8h às 17h (agendamento de acordo com a disponibilidade da coordenação e do aluno)


Datas das Aulas

01 e 15 de Fevereiro

08 e 22 de Março

05 e 26 de Abril

10 e 24 de Maio

07 e 28 de Junho

12 de Julho


Duração
05 meses


Coordenação:
Monica Macedo dos Santos Lameza



Para obter maiores informações ou realizar a matrícula no curso acesse: http://www.accamargo.org.br/cursos-presenciais

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

COINE 2014


Data: 25 e 26 de Abril
Local: Centro de convenções do CBC - Botafogo
Endereço: Rua Visconde de Silva, 52 - 1º e 2º andares - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ
Início das inscrições: 14 de Janeiro
Encerramento das inscrições: 14 de Abril

Para maiores informações acesse: http://www.unicongressos.com.br/hotsite/index.php




terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Vitafoods South America "O evento de ingredientes funcionais"


"Vitafoods South America é o principal evento para a indústria de alimentos funcionais e nutracêuticos na região. Reunindo 3.000 das maiores especialistas do setor, analistas de inteligência do mercado e mais de 130 empresas líderes expositoras, esta exposição é o ponto de encontro para os fornecedores de ingredientes e matérias-primas."


Dias: 8 e 9/04/2014
Local: Transamérica Expo Center - São Paulo

Para maiores informações acesse: http://www.vitafoodssouthamerica.com.br/apan

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Agricultura sustentada pela comunidade, por Valéria Paschoal

Entrevista para o Canal Rural com a Nutricionista Valéria Paschoal sobre a agricultura sustentada pela comunidade. "Relação direta entre consumidor e produtor, proporcionando maior acesso aos alimentos naturais e também gerando sustentabilidade" (Fonte: Canal Rural) em 10/01/2014.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O difícil caminho para dar alimento a 7 bilhões de pessoas


sex, 13/12/13
por Amelia Gonzalez |


Apontada por dez entre dez especialistas, inclusive pela ONU, como um caminho para resolver uma questão emergencial da humanidade – fornecer alimentos saudáveis  a 7 bilhões de pessoas – a agricultura familiar vem ganhando espaço nas mesas de debates sobre um mundo sustentável. Tanto assim que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) determinou que 2014 será o ano da agricultura familiar. Aos céticos, que já estão se perguntando o resultado prático desse tipo de anúncio, vale lembrar que 2013 foi o ano da Quinoa. E não sei quanto a vocês, mas nos espaços onde compro meus alimentos, que incluem desde feiras orgânicas a grandes redes de supermercados, nunca vi tanta oferta deste cereal andino.
Logo, o que quero dizer é que tornar 2014 o ano da agricultura familiar pode ser útil para pôr holofotes sobre este sistema.  Agricultura familiar é definida como uma forma de organização agrícola, florestal, de pesca, pecuária ou aquicultura gerida e operada por uma família, abrangendo agricultores de pequena e média dimensão, camponeses, comunidades indígenas, pescadores e pastores. E, segundo pesquisadores, é imprescindível ter estudos sobre o tema que possam nortear algumas iniciativas a fim de dar mais força aos pequenos agricultores.
Na terça-feira passada (dia 10), no entanto, uma reportagem divulgada do jornal “Valor Econômico” concluiu que, sim, o crédito rural aumentou oito vezes em relação a dez anos atrás, mas os reflexos  disso sobre a produção são incertos. Isso porque, embora segundo o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), o Plano Safra Agricultura Familiar tenha disponibilizado R$ 4,2 bilhões em 2002 quando R$ 2,2 bilhões foram efetivamente contratados e  no ciclo 2012/13, foram anunciados R$ 18 bilhões e as contratações somaram R$ 18,6 bilhões, não há estudo  sobre os resultados agrícolas do emprego desse valor.
Pedi ao ex-presidente do Consea, especialista em segurança alimentar e atual pesquisador do Ibase Chico Menezes, que me ajudasse a pensar sobre o assunto.  Segundo ele, o MDA usa como referência  dados de 2006, dando conta de que produtos da agricultura familiar  ocupam 70% da produção de alimentos no Brasil. Mas, para Menezes, esse dado pode estar superestimado.
—- A agricultura familiar ganhou incentivos, respondeu com dinamismo, mas enfrenta dificuldades.  Tem uma importância fundamental para a alimentação dos brasileiros mas não podemos afirmar com tanta convicção que chegue a níveis tão elevados – disse ele.
Cuidadoso, Chico Menezes acha que é preciso lidar com esses dados sem muita euforia já que o agronegócio continua recebendo recursos governamentais proporcionalmente maiores e está de olho, é claro, na camada da população que saiu da miséria e começa a ter condições de pagar por seus alimentos.
—– É importante observar que enquanto a lógica do agronegócio é a de ter o alimento como mercadoria, a lógica da agricultura familiar é ter alimentos mais seguros e associados às culturas alimentares de cada região. Hoje o que mais nos preocupa no mundo é essa tendência cada vez maior de o alimento se tornar mais uma mercadoria.  A lógica é extrair lucro dos alimentos, o que põe o sistema alimentar em risco.
No Brasil de hoje, segundo Chico Menezes, enquanto o governo acha que é possível o agronegócio e a agricultura familiar conviverem lado a lado, a sociedade civil, basicamente representada pelo Conselho de Segurança Alimentar (Consea), enxerga aí um grande antagonismo.
—– Existe uma situação de disputa permanente e o Consea tem uma posição de que esse antagonismo não deve ficar escondido.  O governo tem programas importantes de estímulo à agricultura familiar mas ele precisa do agronegócio para equilibrar sua balança comercial com as exportações.
Com os incentivos, lembra Menezes, a agricultura familiar cresceu, houve aumento do crédito, dos tomadores de crédito:
—- Mas não basta haver crédito. Um ponto que precisa ser reforçado é a assistência técnica, que ainda é insuficiente. Acho que ainda existe um padrão da agricultura convencional, com uma carga muito grande de agrotóxicos. Outro aspecto a ressaltar é a dificuldade de acesso aos insumos, à terra. Vejo que, como já existem políticas para a agricultura familiar, todos esses pontos precisam ser examinados.
Um ponto frágil para a agricultura familiar é ter mercado para aquilo que ela produz, o que pode influenciar no seu nível de segurança para continuar no negócio. No Programa Fome Zero existe um subprograma que foi criado para unir as duas pontes:  a produção dos pequenos agricultores e os consumidores mais vulneráveis. No entanto, segundo Menezes, em onze anos de implantação o orçamento para este fim não passou dos R$ 2 bilhões.
—- A agricultura familiar brasileira recebeu reforço também por causa do programa nacional de alimento escolar – disse Menezes.
Hoje, no mundo todo, segundo informações do site da FAO, a agricultura familiar abrange 500 milhões de propriedades, motivo pelo qual a agência das Nações Unidas decidiu pôr o tema em evidência este ano. Dados de 2006 dão conta de que na América Latina e Caribe 80% das propriedades rurais eram de natureza familiar, empregando 70% da mão-de-obra agrícola.  Uruguai, Chile, Paraguai e Argentina tinham  apenas 30% das fazendas com esse sistema.
Perguntei a Menezes se ele acha que há uma tendência mundial de valorizar os alimentos não processados e ele disse que não. Na verdade, as práticas brasileiras são experimentadas em outros países.
—- E é importante também perceber que a agricultura familiar não se afasta da possibilidade de processar alimentos, muita coisa já é feita. Mas precisaria haver investimento severo para isso porque, ao mesmo tempo, se estaria trabalhando em prol de uma alimentação mais saudável – disse ele.
Sendo assim, ficamos combinados: a agricultura familiar é boa para todos. Mas a dificuldade de produção em escala, que vem melhorando mas ainda é grave, dificulta a vida dos pequenos produtores. A dica para nós, cidadãos que queremos alimentos saudáveis mas não temos como comprar produtos muito mais caros, é diversificar. Comprar em vários lugares, não só comparando preços mas também procurando novidades pode ser um bom caminho. É o que estou experimentando.